Preocupação
com a segurança pública e baixo interesse do torcedor nos jogos foram os
fatores determinantes para o fim da realização dos clássicos regionais nas
últimas rodadas do Campeonato Brasileiro, decisão tomada na última
segunda-feira, em reunião na sede da CBF, e que contou com a presença de 19 dos
20 clubes da Série A – a Portuguesa foi a única ausente.
A
questão da segurança foi uma das mais abordadas da reunião. Marcelo Medeiros,
1º vice-presidente e diretor de futebol do Internacional, um dos oito clubes
que foram a favor da permanência dos clássicos, foi voto vencido, mas
confirmou: o risco de brigas entre torcidas teve papel fundamental na vitória
dos 11 clubes que defenderam o fim dos clássicos nas últimas rodadas.
–
Não houve muita argumentação. Acontece que, em estados como São Paulo e Rio de
Janeiro, esses clássicos representavam um risco muito grande para a Secretaria
de Segurança Pública. E, quando se levanta a questão da segurança, é preciso
ter muito cuidado. Isso foi colocado em pauta – disse.
Públicos
abaixo do esperado em jogos que garantiriam casa cheia em outras circunstâncias
também pesaram. Na última rodada do Brasileirão 2012, o já campeão Fluminense
enfrentou o Vasco diante de 5.470 pagantes no Engenhão.
–
Clássicos jogados na última rodada provocam um esvaziamento no curso do
campeonato – disse Carlos Augusto de Barros e Silva, vice-presidente do São
Paulo.
Odílio
Rodrigues, vice-presidente do Santos, acompanhou o raciocínio do dirigente
tricolor.
–
Na maioria das vezes, não altera o resultado, não tem importância alguma,
perdemos um bom jogo, com direito a uma boa renda e em uma rodada sem nenhum
efeito. Fora as dificuldades de se realizar clássicos na mesma cidade.
CLÁSSICOS ERAM GARANTIA DE CREDIBILIDADE
A
CBF adotou os clássicos regionais nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro
com o objetivo de evitar a existência de jogos suspeitos e possíveis
"entregadas" de clubes querendo prejudicar os rivais. O Grêmio, um
dos clubes que votaram pela continuidade do modelo, via tais jogos como a
certeza de credibilidade para a competição.
-
Não acredito que já existiu manipulação, mas as dúvidas existiam. Esse debate
existiu. Os clássicos garantiram a credibilidade do Campeonato Brasileiro para
o torcedor. Mas temos de respeitar a decisão. Não vivo a situação dos clubes de
Rio e São Paulo e precisamos compreender que lá esses clássicos nas últimas
rodadas não eram a melhor opção - disse Adalberto Preis, integrante do Conselho
de Administração do Grêmio e representante do clube na reunião.
Quem
lamentou o fim dos clássicos nas últimas rodadas foi o zagueiro Bolívar, hoje
no Botafogo. Em 2009 ele defendia o Internacional, que lutava pelo título com o
Flamengo, que viria a ser o campeão ao vencer o Grêmio, maior rival do Colorado
na última rodada (veja detalhes do jogo abaixo).
-
Acho ruim (fim dos clássicos), pois perdi um Brasileirão em 2009 jogando pelo
Inter. Nós ficamos tristes, pois esses clássicos vinham acontecendo nos últimos
anos, eram importantes. Ninguém quer deixar o adversário ser campeão. Mas temos
de acatar.
'CUTUCADA' NO RIVAL
O
atacante Luis Fabiano, do São Paulo, foi outro a comentar o fim dos clássicos
nas rodadas decisivas do Brasileirão e lembrou, mesmo sem citar nomes, do duelo
entre Flamengo e Corinthians de 2009 para lamentar a decisão tomada na última
segunda.
-
Não esperava que fosse acontecer, até porque no ano passado foi legal,
emocionante. Infelizmente o Fluminense já era campeão, mas tinha equipes
brigando por Libertadores, pra não cair. Achava que ia continuar, infelizmente
mudou e espero que esse ano não tenha aqueles papelões, de cara entregando,
goleiro que não pula em pênalti. Espero que isso não aconteça - destacou o
jogador.
Fonte:
Lancenet
O que vocês acharam Nação? Comentem sem precisar de cadastro (Nome/URL ou Anônimo)!


Postar um comentário